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O novo despertar da MagiaPosted by on


Ao longo de alguns anos eu venho trabalhando para fazer uma coisa que, aparentemente, aconteceu. 

Aconteceu como uma comporta de uma represa que foi aberta e, agora, não dá mais para conter o avanço; mesmo que fechemos a comporta, todo o caminho rio abaixo já foi comprometido. 

Antes de prosseguirmos, só quero deixar uma coisa clara: É  óbvio que, embora eu esteja tratando aqui como “eu venho trabalhando”, não quer dizer que eu sou o único, o primeiro ou o maior. Só quer dizer que eu venho fazendo isso de forma consciente e planejada, assim como outros que, provavelmente, você conheça. 

O trabalho é exatamente esse: fazer o novo despertar da Magia. 

Magia sempre foi um tema controverso e, talvez por isso, talvez para manter a aura de mistério que um Mago sempre gostou; nós preferimos deixar a coisa toda reclusa a um número pequeno de pessoas. Sentávamos em nossas cadeiras de Ordem e lá discutíamos o Universo, olhávamos os avanços e jogávamos informações aqui e ali para tentarmos, a nossa forma, colaborar com o mundo de algum jeito. Magia e ciência sempre se confundiram e assim como as novas descobertas científicas, a Magia caiu nos ouvidos dos leigos e se tornou algo bastante diferente. 

Como a física quântica, ou melhor dizendo, a mecânica quântica: já há alguns anos que teorias complicadas cheias de cálculos algébricos são vendidas como formas místicas de alteração do DNA ou comprovações de que a vida pós morte existe ou que o pensamento muda a realidade como uma forma de atração. 

Quer dizer, não que a mecânica quântica tenha efetivamente se tornado isso, mas as pessoas que não dominam nem a física clássica, nem o cálculo de massa de um objeto, começaram a se apresentar como “pesquisadores quânticos” ou “ativistas quânticos” e acabaram por tornar a palavra sinônimo de charlatanismo.  

Isso acontece com bastante frequência nos dias em que somos empurrados a nos tornar “especialistas” em alguma coisa não pelo domínio completo da coisa em si, mas contornando o problema da falta de qualificação criando um nicho profissional onde nós podemos reinar sozinhos. Se isso aconteceu até com uma disciplina tão precisa quanto a física, onde precisamos dizer que um mais um será dois, e a reprogramação de DNA quântico pôde nascer para fazer com que uma pessoa chegasse ao topo da sua disciplina, onde ninguém mais reina por não haver ninguém mais que faça; o que dirá da Magia, esta disciplina que lida, naturalmente, com aquilo que não pode ser visto e tem como papel fundamental, propor o novo? 

Assim começamos a ver uma sorte de pessoas que apareciam se utilizando do título “Mago” para dar uma espécie de “chancela” ao que estava pretendendo fazer, que muitas vezes não passavam de uma corruptela de alguma religião, feita à forma do religioso. Começamos com a Wicca, depois fomos para a umbanda e o candomblé e podemos dizer que estas foram as preferidas durante algumas décadas e tivemos iniciantes destas vertentes, tomados talvez de uma arrogância escondida, fugindo de seus centros religiosos e tomando o título para si. 

Acontece que dificilmente alguém neste patamar estava apto para compreender algo tão amplo como a Magia pode ser. É tão difícil compreender o que é Magia quanto compreender o que é ser livre; é muito mais fácil chegarmos a uma conclusão superficial e pregarmos isso a quem tem ainda menos informação que eu, fazendo assim um culto a mim, travestido de religião, que se traveste de Magia. É muito mais fácil montar um altar com figuras diversas (e aí vamos do gosto do freguês) do que tentar compreender o porquê de se usar essas figuras: o que faz uma vela acesa ter poder em um rito e poder nenhum quando a energia elétrica falha e a usamos para iluminar a casa?  

Esta facilidade é bastante mercadológica: em geral nós procuramos respostas fáceis para problemas complexos da vida e nos negamos a olhá-los por diversas óticas para realmente resolvermos. Diga-me se você também não ficaria muito feliz se descobrisse que uma vela vermelha acesa à meia noite numa encruzilhada fizesse dinheiro aparecer na sua conta? Eu ficaria, pelo menos. Agora some a isso uma dúzia de depoimentos anedóticos de pessoas que adoram ligar fenômenos desconexos como se um causasse o outro e uma vontade de não contabilizar as falhas sobre os sucessos e temos o cenário esotérico atual, que puxou o nome do Mago para si. 

Você mesmo pensou que Magia era isso, não é?  

Pois é. Felizmente o título de Mago não é algo conquistado em uma universidade ou federação, não há ninguém que se importe com a palavra sendo espalhada por ai e por conta disso, o termo virou sinônimo de charlatanismo. Hoje, o termo é misturado com coisas como “radiestésico”, “oráculo”, “homeopatia”, “grabovoi” e diversas outras coisas. Feiras místicas são impulsionadas pelo Brasil (ou eram, antes do COVID) e teorias de uma pretensa energia aparecem como a solução para tudo na vida e no universo. 

Então, neste cenário, algumas poucas pessoas apareceram trazendo um contraponto. Neste momento, vemos uma espécie de “contracultura mágicka” sendo construída por nomes como Kenneth Grant, Peter Carrol, Ray Shervin e Austin Osman Spare. Nomes que são reconhecidos por trazer uma forma mais simples de se fazer Magia, mas que tem uma importância secundária muito maior: São eles que começam a colocar em seus estudos os elementos fundamentais para a compreensão do que a Magia é realmente. Para o exemplo que demos da vela há pouco, o que torna uma vela uma ferramenta mágicka ou um item de emergência é o “intento” por trás dela. Este intento é tateado pelo Crowley quando ele traz o conceito de Verdadeira Vontade, mas só aqui começamos a falar sobre isso e por uma questão bastante complexa: o aperfeiçoamento dos estudos da mente, tanto a psicologia, quanto a neurociência. 

Como disse, Magia e Ciência sempre andaram juntas, embora uma não se importe em ser a outra. 

Esta mistura fez com que cada vez mais a Magia fosse dividida em dois campos de estudo: a psicurgia e a theurgia e este segundo vem sendo deixado cada vez mais de lado: o estudo da intervenção divina no mundo está cada vez mais renegado à religião e a psicurgia, o estudo da intervenção da mente no mundo, cada vez mais amplo e aceito.  

Claro que, uma outra vez, isso caiu no campo esotérico antes que pudéssemos chegar a alguma conclusão e, por conta disso, vemos “O Segredo” sendo publicado, insinuando que se acreditarmos com muita fé em alguma coisa, essa coisa acontecerá de forma automática em nossas vidas. 

A relação da mente na Magia é infinitamente mais profunda que isso e vem nos perguntar como a mente interioriza informações e como essas informações interiorizadas vão ser exteriorizadas. Mudando esta relação, mudamos um dos dois fatores. 

Nos encontramos aqui, neste lugar. Aqui é que começa o novo despertar da Magia e é aqui que me encontro e faço renascer os primeiros parágrafos do texto: Não há muito mais o que esconder neste sentido. Uma boa parte do que é estudado em Ordens Místicas já está publicado nos livros, mesmo que de forma codificada. Há muito o que se falar ainda, mas é hora de falarmos sobre algumas coisas, pois a ideia da Magia não é criar rebanho; é criar liberdade, exatamente o contrário do que está acontecendo. Essa falta de liberdade é impulsionada pela nossa natural vontade de ter tudo à mão, então negamos o complexo e assumimos o mais fácil: ter alguém que me mostre o caminho é o que todos buscam. 

Esta é, aliás, uma outra questão a ser levada: O Mago não pode ser avaliado como se avalia um padre ou um bispo. Na verdade, não só não pode ser avaliado, como não pode ser esperado dele, esta postura. 

O dirigente religioso se traveste de perfeito, de alguém a se observar e a seguir. Não é a toa que seus seguidores são chamados de ovelhas e ele próprio, pastoreia.  

O Mago não é exemplo e dificilmente quer ser. Mais raramente ainda é ele se preocupar com isso. O Mago aceita que é uma pessoa falha e que vai continuar falhando, dado que este é o preço que se paga para propor coisas novas, assim como  um cientista falha muito antes de acertar em um novo medicamento ou um físico antes de dar uma resposta a um problema do universo. Do Líber Al Vel Legis onde Crowley sugere que o leitor queime o livro para ele não ser o ponto final de seu estudo, até o Paulo Coelho ao se declarar um ser contraditório no Manual do Guerreiro da Luz

Isso quer dizer que é impróprio esperar do Mago algum tipo de liderança ou pastoreio, a maioria de nós vai se recusar isso e, mesmo quando existe a criação de grupos por parte de um Mago (como o Fausto Ramos faz), não existe a intenção de ser um líder eterno. Aquilo é só um movimento para que você use-nos como degraus para ir além. É um espaço para troca, não imposições e esta troca sempre acontece quando ambos os lados estão disponíveis para ela, não passivamente como é feito em uma escola, mas ativamente: o bom discípulo não é aquele que só ouve, mas é aquele que também faz.  

Preste atenção ao termo usado: faz.  

Esta é mais uma das diferenças com a religião, dado que a religião busca para si a obrigação de criar o elo entre você e o que quer que a religião demonstre. Mesmo na umbanda, onde o seguidor se conecta diretamente a seu “guia espiritual”, ainda só faz isso sob os auspícios de um dirigente, alguém que vai te falar quando, como e onde fazer e, enquanto você estiver ali, será conduzido desta forma. 

Nós não agimos assim; nós criamos espaços de debate, conversa, discussão e adiantamento intelectual. Como não temos formas de saber o que fazer e nem como fazer, então criamos espaços diferentes focados em diferentes pessoas. Chamamos a isso de Ordens e não, não impedimos ninguém de passar um tempo nelas e depois sair para buscar mais. Nem a tão famosa Maçonaria é assim e mais uma vez observamos a dificuldade de olharmos as coisas de forma ampla, dando prioridade ao que é mais simples. É mais fácil achar que a Maçonaria é uma ordem “do mal” e que mata o primogênito de quem é associado do que tentar se tornar um associado para realmente ver o que acontece. Depois que a ideia está solidificada por essas teorias da conspiração, é mais fácil seguir acreditando nisso que ouvir quando, por exemplo, um Maçom resolve falar sobre Maçonaria. Isso é tão cegante que, geralmente, a pessoa chega a dizer ela, do lado de fora, tem mais acesso ao que acontece dentro da Ordem do que os próprios iniciados. 

Isso lembra uma outra coisa ainda, chamada de Narcisismo. 

Existem duas formas de olharmos o Narcisismo: a primeira delas é como assim está escrito, uma forte sensação de amor próprio, superando o que é considerado como “normal”. A outra forma é chamada de “transtorno de personalidade narcisista” e está definido no manual MSD  como um transtorno caracterizado por um “padrão generalizado de grandiosidade, necessidade de adulação e falta de empatia”. Não é recente que uma ligação entre o que se propõe a místico e o narcisismo e isso é tão perceptível que Roos Vonk e Anouk Visser publicaram um estudo na European Journal of Social Psychology chamado An exploration of spiritual superioritythe paradox of self-enhancement ou em tradução livre Uma exploração da superioridade espiritual: O paradoxo da Auto-valorização onde demonstram que, em geral, uma pessoa que esteja “procurando elevação espiritual” tende a se achar melhor que os outros em perguntas como “estou mais ciente do que está entre o céu e a terra do que a maioria das pessoas” ou “O mundo seria um lugar melhor se outros também tivessem apercepção de que Eu tenho agora”. 

Qualquer um que já tenha participado de um grupo de Facebook sobre magia (colocado aqui em letra minúscula de propósito a fim de diferenciar) já sentiu isso ou se percebeu no meio disso, onde qualquer pergunta já vira motivo de chacota, briga e ofensas e nota-se claramente a necessidade dos interlocutores de se prostrar como alguém superior aos demais. Não que não exista alguém superior que os demais, o problema é a forma, assim como um não-Maçom tentando discutir as verdades da Maçonaria com um Maçom (ou um brasileiro tentando discutir com a embaixada da Alemanha sobre o que foi o Nazismo).  

A grande questão que quero trazer aqui é, na verdade, que não há mais volta. Decidimos, nós de diversas Ordens e Escolas de Mistério, daquelas que você nunca ouviu falar e acha que é mentira sua existência, que passou da hora de colocarmos nossa cara para fora da janela e gritarmos a plenos pulmões aquilo que somos. Magia existe e não é nada daquilo que você imagina, que foi acostumado a pensar. 

Então agora preste atenção aos sinais, pois estamos em literalmente todos os lugares. Podemos ser o médico que te opera, o psicólogo com quem você se consulta, o mecânico que arruma seu carro ou o gerente que cuida da sua conta no banco. Podemos estar em sua casa agora, namorando seu filho ou filha, podemos ser seu pai, sua mãe. Podemos estar propondo os últimos avanços da astrofísica ou melhorando a capacidade da terra de produzir soja.  

 

E agora, queremos falar. 

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