Hermeticamente HipócritaPosted by on


Acredito que foi quando aprendemos a nos comunicar de forma um pouco mais efetiva que aprendemos, também, a mentir e sinceramente, não faço este texto em particular para militar pela verdade ou excomungar você pela mentira. Minha função aqui é só trazer luzes ao Herméticamente Hipócrita ou seja, fazer isso seria hipocrisia de minha parte, tal qual é sua, caso você tenha achado estranho a segunda afirmação.

De fato todos mentimos em grande parte do dia. Robert Feldman, pesquisador da Universidade de Massachussetts, lança luzes ao dizer que mentimos, em média, uma vez a cada dez minutos de conversa. Não quero discutir aqui a validade ou o caráter de quem faz isso, antes de mais nada, só quero apontar que todos nós recorremos ao uso de inverdades, mesmo que sejam pequenas desculpas que damos para nós mesmos para que nos safemos de arcar com responsabilidades mais pesadas adiante. Mentimos para nós até quando dizemos que não mentimos, o que quer dizer, basicamente, que sua repulsa pelo dito no parágrafo anterior nada mais é do que a externação de um fenômeno puramente humano que conhecemos como “hipocrisia”.

Hypocrisis (latim) ou Hupokrisis (grego)

é uma palavra utilizada para o ato de fingir ter crenças (em seu amplo aspecto, ou seja, não somente limitando ao ato religioso ou de religiosidade), ideais e/ou sentimentos que a pessoa na verdade não se possui. É quando você milita em nome do deus cristão, por exemplo, mas não acredita nele de verdade, sabe? Ou quando você mantém aquele casamento falido, fala bom dia por educação quando na verdade você deseja que aquela pessoa morra, dá uma esmola para um mendigo fazendo isso somente para que ele pare de te importunar ou diz que todos tem que estudar enquanto seus atos pregam a ignorância. Entende?

No fundo, todos nós somos hipócritas em diversos momentos de nossas vidas e sem essa hipocrisia, a própria vida em sociedade, aqui no Brasil em particular, deixaria de existir; isso porque dependemos da hipocrisia e a esperamos, mesmo quando somos hipócritas conosco dizendo que não agimos assim. Nós perguntamos se fomos bem em um determinado assunto, porque esperamos que a pessoa interaja confirmando que fomos, se assim não acontecer, nos decepcionamos e é bem provável que a relação se abale. Vale, a bem da verdade, para cada um de nós, colocar na balança até que ponto vale aceitar a hipocrisia e, também, até que ponto vale mantê-la. Explico-me:

Sabe aquele senhor que parece ser “respeitável”, mantém uma família no formato socialmente mais comum e tido como o correto, ou seja, tem uma esposa que o apoia, filhos ou filhas que o admiram, netos ou netas que o respeitam como avô carinhoso? Aquele senhor que tem casa própria, as vezes mais de uma, um automóvel, vai a igreja aos domingos, que mantém e é o pilar da família?

Então, ele pode ser gay.

Ou nem ser gay (como todos costumam rotular), mas somente gostar de manter relações sexuais com outros homens eventualmente, talvez para saciar uma curiosidade ou somente para ter algo diferente mesmo. O “esconder” de tal situação pode atormentar sua alma a ponto dele se sentir obrigado a afastar-se de seu próprio deus, ou da religião que tanto admirou por anos de sua vida, dado que ela excomunga seus membros que mantém tal prática. Imagino como deve ser em seu íntimo a luta entre manter as aparências para o mundo e simplesmente ser feliz. Imagino que, depois de décadas de luta interna, essa pessoa se rebele contra suas principais bases e comece a se tornar uma pessoa violenta, amargurada, ressentida, talvez maltrate sua esposa às escondidas sendo aquele típico estereótipo passivo/agressivo de sempre: não necessariamente recorra a violência física, mas perdure no âmbito psicológico, não bate em sua esposa com as mãos, mas sim com atos e palavras. Talvez essa pessoa se torne tão amargurada que necessite destilar seu ódio nos transeuntes que passam em sua vida simplesmente porque a falta da libertação sexual inicial lhe machuque completamente. Esse é um dos maiores atos de hipocrisia que tenho exemplo, talvez o mais explícito e prejudicial, o que leva, provavelmente, muitos homossexuais ao suicídio ou ao ostracismo ou, segundo alguns estudos, a homofobia.

Não sei se você conseguiu pescar o peixe que estou tentando te dar neste momento, mas a hipocrisia pode levar, sim, a morte. Ela é necessária em muitos momentos de nossas vidas, como qualquer outra coisa, mas seu exagero leva a morte. Quando encontramos este meio termo, entre a hipocrisia que mata e a que te faz viver, nos tornamos hermeticamente hipócritas, exercemos o balanço hermetista dos polos e passamos a controlar a vida; sabemos que, em determinado momento, não estamos sendo completamente verdadeiros, mas compreendemos que isso é necessário naquele momento e, com isso, não somos falsos conosco.

Em atendimentos, por exemplo, costumo usar muito esta balança delicada; preciso muitas vezes ser hipócrita e dizer algo que não concordo cem por cento, mas que sei que servirá como porta de entrada para chegar onde preciso chegar e, mais a diante, contar a verdadeira verdade. Às vezes preciso enfeitar a notícia para dá-la sem ferir, às vezes preciso dizer que alguém “foi dessa para a melhor” em vez de dizer simplesmente “morreu”, porque isso tem a ver com a perspectiva do outro sobre aquele assunto e, muitas vezes, essa perspectiva não está preparada completamente para a verdade nua e crua.

Como todo bom hermetista,

então, levo você a uma outra reflexão necessária: ser hipócrita consigo não é a mesma coisa que ser hipócrita com o outro e esta diferença é a raiz de muita coisa ruim (e boa) que acontece: saber quem eu sou me torna alguém mais feliz, mas isso só acontece quando não sou hipócrita comigo mesmo, enquanto muitas vezes os outros não saberem quem eu sou é a melhor coisa a acontecer. Ser sincero consigo vai fazer com que você, por exemplo, não persiga o sonho de outra pessoa o que vai lhe permitir não ter a necessidade de trabalhar das 9h às 18h de segunda a sexta e buscar seu real sonho. De repente, de vender artesanato na praia, por que não?

A lição que quero deixar aqui, no final das contas, é: seja hipócrita, porque o mundo é dos covardes, dos ignorantes e dos cegos e para esta casta de pessoas precisamos dar o que eles acham que querem, muitas vezes para ajuda-los a entender o que querem de verdade, mas sempre para conseguirmos aquilo que buscamos. Mas nunca, NUNCA, seja hipócrita com você mesmo, sob a pena de virar um velho caquético, de barba longa e pavio curto, que ama uma mulher enquanto a maltrata, que admira os filhos enquanto os quer ver longe, que tem uma morada enquanto a sua principal morada, apodrece.

Saiba mais sobre isso assistindo os vídeos abaixo:

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